Eles criticam localização dos conjuntos, estrutura precária e até falta de segurança. Programa já garantiu casa própria para 7,3 milhões de brasileiros.
Um estudo feito por pesquisadores de várias universidades brasileiras aponta falhas no modelo do programa "Minha Casa, Minha Vida" voltado para famílias de baixa renda. Eles criticam a localização dos conjuntos, a estrutura precária e até a falta de segurança.
Esse programa já garantiu a casa própria para milhões de famílias; 7,3 milhões brasileiros já foram beneficiados desde a criação do programa "Minha Casa, Minha Vida", em 2009. Foram entregues mais de 1,8 milhão moradias. O investimento é de R$ 230 bilhões.
Mas uma pesquisa financiada pelo Ministério das Cidades e pelo CNPq, Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico, identificou problemas.
Cerca de 100 pesquisadores das principais universidades brasileiras avaliaram os conjuntos habitacionais voltados para as famílias com menor renda. Eles apontaram diversas falhas. Só na Região Metropolitana do Rio de Janeiro, quase metade dos empreendimentos está em áreas com infraestrutura urbana precária.
Em um conjunto em Campo Grande, na Zona Oeste, onde vivem mais de 400 famílias, são muitas reclamações. “Não tem colégio para absorver, não tem creche”, diz uma moradora.
“Mais segurança para gente e para o nosso marido que chega tarde”, pede uma outra moradora.
Segundo o estudo, 80% das construções do programa no Rio de Janeiro ficam em áreas com dificuldade de transporte.
“Tudo é um pouco distante. São três horas para você conseguir um trabalho lá embaixo. Você tem que realocar as questões nesse sentido”, diz Ângela Cardoso, dona de casa.
O mapeamento foi feito em 22 municípios de seis estados, entre eles São Paulo.
“Os conjuntos se inserem em periferias que já existem e jogando muito mais gente lá. Uma demanda muito maior em cima de um lugar com muita fragilidade e que não foi planejado para receber essa quantidade de pessoas”, afirma Raquel Rolnik, professora de arquitetura da USP.
Em Araçatuba, no interior de São Paulo, as casas foram construídas perto de um antigo lixão.
Por enquanto ninguém pode se mudar.
“A gente nem dorme direito, tem realmente pesadelo com essa casa”, diz uma mulher.
Em Juiz de Fora, em Minas Gerais, apartamentos foram entregues este mês sem energia.
Os pesquisadores divulgaram uma nota pública com as críticas ao programa: os imóveis ficam longe de onde tem emprego na cidade; muitos moradores não têm como pagar o condomínio; falta transparência na seleção das famílias por algumas prefeituras; e certos conjuntos são controlados por traficantes e milicianos.
Os apartamentos de um condomínio, em Guadalupe, no Rio, foram invadidos antes de serem entregues. A ação foi chefiada por traficantes. Depois da desocupação, na semana passada, a segurança continua reforçada.
O Ministério das Cidades informou que o programa será aprimorado e que os dados da pesquisa podem ajudar. A proposta é criar cursos para os moradores planejarem o uso da renda familiar. Na segurança, a secretária nacional da Habitação, Inês Magalhães, afirma que as melhorias dependem da parceria com estados. E que ajuda dos municípios também é fundamental.
“Que os municípios, ao estabelecerem o seu planejamento, ao destinarem as áreas de habitação, os façam com áreas cada vez mais bem localizadas. Agora, o tema da mobilidade urbana, o tema do transporte é um tema bastante geral das nossas cidades”, afirma a secretária nacional de Habitação.
Os pesquisadores apontam como alternativa mudar o modelo do programa, construir condomínios menores para facilitar a administração e espalhados de forma mais uniforme pelas cidades.
Extraído do site: http://g1.globo.com/
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